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Pode replantar milho híbrido? Por que não usar o grão colhido como semente

Não é recomendado. O grão colhido numa lavoura de milho híbrido dá origem a plantas da chamada segunda geração, ou F2, que perdem parte do vigor híbrido. Em estudo da Embrapa Milho e Sorgo, usar sementes de segunda geração reduziu a produtividade de grãos em média de 20% a 30,5%, conforme o tipo de híbrido.

No caso do milho transgênico, há um problema a mais: as plantas F2 não expressam a tecnologia da mesma forma que as plantas da semente original. Entenda por quê.

O que é um milho híbrido?

Um híbrido simples, tipo que domina o mercado brasileiro, é resultado do cruzamento entre duas linhagens endogâmicas, ou seja, linhagens geneticamente puras. A semente desse cruzamento é a geração F1.

As plantas F1 são homogêneas e uniformes, e expressam o chamado vigor híbrido, ou heterose: um desempenho superior ao das linhagens que as originaram. Segundo a Embrapa, esse vigor máximo só aparece na geração F1.

O que acontece quando o grão colhido é replantado?

As plantas F1 da lavoura produzem grãos que já são a geração seguinte, a F2. Quando esse grão é guardado e plantado, as características genéticas se separam, e as plantas deixam de ser representativas do híbrido original.

Segundo artigo disponível no repositório da Embrapa, uma lavoura plantada com sementes F2 não tem a mesma homogeneidade e uniformidade de uma lavoura plantada com sementes F1. Com a perda do vigor híbrido, há também perda de produtividade, que pode ser significativa dependendo da genética da cultivar.

Quanto se perde de produtividade?

Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo, publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira, comparou 20 híbridos e suas gerações seguintes em Sete Lagoas (MG) e Guaíra (SP). Ao usar sementes de segunda geração, a redução média na produção de grãos foi de:

Tipo de híbrido

Redução média de produtividade

Híbrido triplo

30,5%

Híbrido simples

27%

Híbrido duplo

20%

Além da queda na produção, as plantas das gerações seguintes tiveram ciclo mais longo, com florescimento mais tardio e mais umidade nos grãos na colheita, e ficaram mais baixas, com espigas inseridas mais abaixo.

O estudo é de 1985 e avaliou híbridos disponíveis naquele período. Por isso, os percentuais encontrados devem ser entendidos dentro das condições e dos materiais genéticos avaliados na pesquisa. Ainda assim, os resultados demonstram o efeito da utilização de sementes de segunda geração sobre características agronômicas e sobre a produtividade.

E se o milho for transgênico?

No milho transgênico, o problema é maior. Segundo o artigo do repositório da Embrapa, por causa da segregação genética, as plantas F2 não vão expressar os genes de resistência a insetos e de tolerância a herbicida da mesma forma que as plantas F1. Com isso, o manejo da lavoura pode ficar comprometido.

Na prática, o produtor planta esperando ter a proteção da tecnologia, mas parte das plantas pode não ter. Para quem usa milho Bt, vale também entender como a área de refúgio ajuda a preservar essa tecnologia ao longo das safras.

Guardar o grão compensa financeiramente?

A semente híbrida custa mais porque sua produção é cara e demorada, e a transgênica ainda inclui o custo da tecnologia. Por isso, alguns produtores guardam o grão achando que vão economizar.

Mas, segundo o artigo da Embrapa, estudos da instituição já mostraram que o custo maior da semente híbrida transgênica é mais do que compensado pela redução de gastos com agrotóxicos. A conclusão do texto é direta: não há justificativa técnica nem econômica para o uso de sementes F2.

Somando a perda de produtividade, a lavoura desuniforme e a proteção incompleta contra pragas, a economia na semente tende a sair cara na colheita.

Semente nova a cada safra

Ao replantar o grão colhido de um milho híbrido, o produtor não está plantando novamente o mesmo híbrido. Na geração F2 ocorre segregação genética, com perda de uniformidade e de parte do vigor híbrido observado na geração F1, o que pode comprometer o desempenho da lavoura.

Por isso, utilizar sementes híbridas novas a cada safra permite iniciar o plantio com a genética, a uniformidade e as características agronômicas previstas para aquele híbrido.

A Geneze Sementes, pertencente ao grupo Limagrain, conta com híbridos de milho desenvolvidos para sistemas de produção.

Comece a próxima safra escolhendo a genética adequada para a sua lavoura.

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